21/02/2010

eu dizia-te...

eu dizia-te
que o sonho acontece,
não fosse sentir
que te escapas por entre os dedos
como a areia de um relógio,
dizia-te que quando se ousa... acontece,
não fosse pressentir
que levantas amarras
para navegar os ponteiros que te faltam,
dizia-te (sussurrando...
bem perto do teu peito)
que o fogo foi criado
para arder e...
as mãos...
para explorar os rostos
de cada boca
que nos atravessa
nos ângulos imperfeitos,
dizia-te mentiras e verdades
só para te desfrutar,
não fosse esta avareza de alma
destruir a delicada teia
de fios invisíveis que...
estendeste até mim.
dizia-te
tudo isto,
dizia-te
tudo o que não disse.

In "Os dias do Amor", com recolha, selecção e organização de Inês Ramos, da Ministério dos Livros, p. 361

3 comentários:

hfm disse...

Não comento o poema que terei de reler. Comento o reencontro e com ele me alegro. Voltarei seguramente. Um beijo.

Ad astra disse...

caramba piquena, reactivaste o blogue e só agora dizes

bj grande

JRL disse...

Missed you both. ;)